Sobre o meu peso!

Escrevi este texto para o Blog Dias de uma Princesa
achei que tinha todo o sentido colocá-lo aqui também, até porque não saiu na integra :)
Escrever sobre perda de peso é sempre complicado.
Escrever sobre a minha perda de peso ainda se torna mais complicado.
Atrevo-me a dizer que teria de começar a contá-la desde a barriga da minha mãe
[não vou fazer isso, estejam descansados].
Apenas conto que geneticamente tenho 100% de probabilidades de ter excesso de peso. Não tenho ninguém na minha família, que seja magro ou que não tenha excesso de peso
[quer dizer agora eu estou com o peso ideal, ou não, não sei]





Desde que me conheço sempre fui gordinha [genes do demónio], a minha mãe regava sempre o bife com molho e alhos [era maravilhoso para mim], comia croissants com chocolate no intervalo das aulas e bolo de bolacha sempre que íamos ao nosso restaurante [não vou falar nas latas de leite condensado escondidas debaixo da cama prometo].
Quando vim para a faculdade foi a desgraça total [fim do Mac a minha segunda casa], o meu peso quase alcançou os três dígitos na balança [sim para mim a balança ainda é um medidor das minhas atitudes, e sim ainda me vejo como um número, mas isto vai acabar prometo]. Quando me assustei com a balança quase nos três dígitos e o meu colesterol a rebentar por tudo quanto era canto do meu organismo decidi dar um basta final [mais ou menos com 23 anos]
Mas as minhas dietas começaram a partir do 11º [ aqui o que me lembro era do copo de água morna com uma colher de vinagre balsâmico em jejum.ainda consegui alguns efeitos, mas depois não me apeteceu ter muitas regras e voltei a ganhar peso]. Já na faculdade, um dia quando cheguei a casa super-cansada de subir um lance de escadas disse “isto tem de acabar, eu vou conseguir perder peso”. A verdade é que fui a uma cliníca de emagrecimento, não é a melhor porta de entrada para um mundo saudável [digo isto por experiência própria] e também não é a melhor porta de saída.
Mas eu tinha de começar por algum lado.
Felizmente os meus colegas da faculdade, especialmente o G. percebeu que algo se passava [comer uma peça de fruta e um iogurte por dia não é de todo ideal] e não me deixava sair da mesa, sem terminar as refeições e mesmo com elas já terminadas ele esperava que a comida me assentasse na barriga.
Sou uma miúda de emoções e como por emoções [fome emocional, sim ela existe e em grande quantidade na minha mente]. Tinha perdido cerca 25kg em 2010, com o tratamento e com ginásio [eu e a balança tínhamos mais ou menos feito as pazes]. Fiz a asneira do tratamento que estava a fazer na clinica ser parado sem-dó-nem-piedade e o peso começou a aumentar [pouco me importei confesso].
Continuo a ser uma miúda cheia de emoções e em 2013 o meu peso já estava novamente quase lá no cimo do Evereste da minha vida. Perdi o meu tio [o-meu-pai-emprestado] e perdi o meu melhor amigo. Mas também fiquei noiva.
A verdade é que pouca coisa estava a meu favor, nem a favor da minha relação amor-ódio com o peso e com a balança. Tinha combinado com o A. [o meu melhor amigo] que íamos os dois fazer dieta. Não podia desistir.
Foi mais ou menos no inicio de 2014 [ano-novo-vida-nova-para-curar-feridas] que decidi que tinha de fazer algo por mim. Entrei num novo ginásio e conheci uma das pessoas que hoje em dia sei que tem uma paciência infinita para aturar o-meu-mau-humor com fome emocional, o meu PT.
Em 2015 continuei o campeonato e casei com o homem-para-a-minha-vida.

Para perder peso é muito importante estarmos rodeados de pessoas que gostamos, que acreditam em nós e naquilo que somos capazes [eu não acredito em mim própria]. Mudei todos os meus hábitos, todas as minhas rotinas. Quando escolho um restaurante demoro ainda mais tempo para além daquele que já demorava. Vou para o ginásio exactamente com a mesma cara com que sempre fui, mas saio de lá sem peso nas costas, sem o sorriso encolhido, sem gritos mudos. Faço as minhas escolhas alimentares, faço-o pela saúde e por mim e sinto-me melhor. Já não escondo as latas de leite condensado, mas como de mês a mês um salame de chocolate às escondidas, a ouvir ao longe a minha consciência que é um pecado. Tenho dias que não me suporto, tenho outros que até me tolero e tenho aqueles maravilhosos em que me olho ao espelho e me consigo ver. Neste processo todo não me identificava. E hoje já me vou identificando todos os dias mais um bocadinho. Os meus estiveram e estão comigo, e só posso agradecer o camião de paciência. Planeio muito as minhas refeições para ter um estilo de vida saudável, cuidado, que não me faça perder a cabeça quando sou avaliada [quando me peso]. E sim ganhei saúde, ganhei vida. E sim vou ganhando todos os dias coragem de enfrentar aquele que eu odeio-mais-que-tudo, o espelho. Não quero ser perfeita, mas quero ser eu sem medo de olhar para baixo quando a balança diz que já posso ver o meu peso. Sou cada vez mais aquilo que como.

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